Blog do Emeneses

Boas Vindas!

  • O que não cabe à mesa

    O que não cabe à mesa

    Dizem que o lugar mais sagrado de uma casa é a mesa de jantar. É ali que se reparte o pão e, mais do que isso, se reparte a vida. As alegrias viram brindes, as preocupações viram pauta. Na minha família, e na do meu amigo Breno, a mesa é farta. Mas nem todos os amores são convidados para o banquete. ​Breno, amigo cuja alma conheço melhor que as minhas próprias gavetas, me chama no WhatsApp. A voz dele, que no trabalho comanda e decide, no telefone se desfaz em um fiapo de inquietação. O assunto, como quase sempre, era…

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  • Fotografias reveladas não eram importantes

    Fotografias reveladas não eram importantes

    O que você levaria nas mãos se sua casa precisasse ser abandonada às pressas? No Teatro de Santa Isabel, na capital pernambucana, a peça estrelada por Denise Fraga e Tony Ramos — O que só sabemos juntos — reacendeu em mim a chama da curiosidade sobre o que realmente importa. Além do show de interpretação, um dos atos lançou a pergunta que me faria recuar no tempo. ​O que eu levaria? Não fui capaz de responder de imediato. ​Confesso: as respostas da plateia me assustaram. “Eu levaria minha mulher!”, gritou um homem, rebaixando a esposa à condição de objeto. Outro…

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  • Reflexões sobre o Tempo e a Maturidade

    Reflexões sobre o Tempo e a Maturidade

    Se existisse um botão de reversão para colocar a vida em câmera lenta, eu o teria acionado muitas vezes. Não para reviver os instantes de glória — esses, curiosamente, quase nunca pedem replay —, mas para observar nos detalhes miúdos aquilo que me fez ser quem sou. Eu me veria aos vinte e dois, confuso e arrogante, e talvez chorasse ao perceber que estava mais perdido do que imaginava. Aos dezesseis, preocupado com o que ainda não tinha chegado, como se a vida fosse uma ameaça prestes a se cumprir. E aos dez, ah, aos dez eu já temia o…

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  • A Beleza e a Solidão: A História de Anabela

    A Beleza e a Solidão: A História de Anabela

    Anabela, aos 30 anos, era a prova viva de que o mundo, às vezes, se fecha para quem se vê belo demais. Ela olhava a vida através do espelho de uma vitrine barata, e o que via era suficiente. Seus olhos, firmes e cheios de astúcia, não buscavam a inteligência, mas a confirmação de sua própria beleza. Como uma flor que se apaixona pelo próprio perfume, ela se bastava. Tinha a certeza arrogante da imortalidade. A voz, uma sinfonia de si mesma, não abria espaço para a música do outro. E assim, sem perceber, ela transformava a solidão em seu…

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