Blog do Emeneses

Boas Vindas!
Um espaço onde a vida cotidiana se transforma em literatura. Entre o humor, a memória e a reflexão, cada crônica revela um detalhe do mundo que muitas vezes passa despercebido. Aqui, não há pressa: as palavras chegam como quem senta para um café demorado, convidando você a enxergar beleza até no que dói.
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Eu Avisei

Brigadeiro é bom. Mas nada se compara ao sabor de dizer: “Eu avisei”. Isso é meu ouro olímpico.E ainda tem a versão premium: — “Eu avisei que isso ia acontecer. Com todo o respeito.” As madrugadas Alisson, um amigo carioca, era meu parceiro no turno das seis à meia-noite. Eu largava, ele seguia até de manhã. Viramos confidentes. O cara tinha talento: contava histórias como quem serve caipirinha — sem miséria. Lia novelas mexicanas em voz alta, e eu parecia criança em capítulo final de Dragon Ball: não piscava. Nosso navio era tranquilo. O maior inimigo era o sono. E…
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Sete da manhã no Recife Antigo

Entre medalhas, cicatrizes e um menino franzino que ainda corre comigo O sol já brincava no céu quando cruzei a Praça do Arsenal, correndo para o encontro de um sonho: o final da minha primeira meia-maratona. O Rio Capibaribe espelhava uma manhã azul, e a vida parecia perfeita, até a notícia de que meu carro havia sido arrombado. Em meio à euforia de ter vencido meus primeiros 21 quilômetros, uma sombra antiga se acendeu. A mente, traiçoeira, me levou de volta a Barreiros e, sem pedir licença, me fez revisitar as feridas de um menino franzino, que ainda estavam ali,…
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O dia em que fui amante sem saber

Uma crônica de paixão, desilusão e novela mexicana da vida real Algumas histórias da minha agitada vida dariam facilmente uma novela mexicana.E eu posso provar. Para alguns, isso pode soar como clichê. Para mim, é apenas a confirmação de que nasci para o estrelato — com trilha sonora, figurino e drama em três atos. O surto chamado paixão Apesar da luta por cima de batalha diária que colecionei ao longo da juventude, foi aos 22 anos que conheci o que o povo romântico chama de paixão. Eu, particularmente, prefiro classificá-la como uma enfermidade cerebral. A gente fica tonto sem ter…
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Minha Primeira Fuga

Uma aventura aos 11 anos, alguns trocados no bolso e muita cara de pau Voltemos aos longínquos anos 90, mais precisamente a 1996. Eu tinha 11 anos, um topete rebelde e uma alma aventureira em desenvolvimento. Morava em Barreiros, Pernambuco, terra de 40 mil habitantes e uma única empresa de ônibus que ousava conectar os corajosos moradores aos municípios vizinhos. A linha que eu mais conhecia — quase um laço afetivo — era a Barreiros–São José da Coroa Grande. O ônibus passava religiosamente em frente à casa da minha finada avó, onde eu morava desde o divórcio dos meus pais…